O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou esta segunda-feira que “não houve negociações” com os Estados Unidos, negando a existência de conversações mencionadas por Donald Trump com um alegado responsável iraniano.
“Não houve negociações com os Estados Unidos. Estão a ser usadas informações falsas para manipular os mercados financeiros e petrolíferos e para livrar os EUA e Israel do atoleiro em que estão atolados”, disse Ghalibaf numa mensagem publicada no X.
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou, esta segunda-feira, ter mantido qualquer conversa com os Estados Unidos nos últimos 24 dias. Declarações que surgem pouco depois de Donald Trump ter afirmado que os dois lados tinham encontrado “pontos importantes de acordo” nos últimos dias.
Numa mensagem publicada em maiúsculas na rede social Truth Social, uma prática normalmente utilizada pelo líder norte-americano para enfatizar as suas posições, Trump disse que os Estados Unidos e o Irão tiveram “conversas muito boas e produtivas”, que podem levar a “uma resolução completa e total” da guerra, adiantando que as negociações vão continuar “ao longo da semana”.
Trump acrescentou que a suspensão da ameaça de atacar centrais elétricas iranianas está “sujeita ao sucesso das reuniões e discussões em curso”.
Logo a seguir, o Irão negou quaisquer negociações entre Washington e Teerão, tendo as agências de notícias próximas do regime avançado, citando o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que “não há diálogo entre Teerão e Washington”.
“POLÍTICO IRANIANO RESPEITADO”
Trump insistiu, afirmando que os iranianos “estão muito interessados em chegar a um acordo” e admitiu que os EUA também gostariam de obter um consenso.
O Presidente norte-americano adiantou ainda que haverá mais telefonemas ainda esta segunda-feira e admitiu a possibilidade de um encontro presencial entre representantes dos dois países para “muito em breve”.
Depois da nova indicação de Teerão a negar quaisquer negociações, Trump voltou a garantir que as conversações com o Irão estão em curso e decorrem com um “político iraniano respeitado”, cuja identidade não revelou.
Segundo Trump, representantes dos Estados Unidos estão em conversações — “que podem mesmo acabar com a guerra” — com um político iraniano que não é o atual líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do anterior ‘ayatollah’ Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva israelo-norte-americana, iniciada em 28 de fevereiro.
“[Estamos em contacto] com uma pessoa de alto nível. Não se esqueçam: aniquilámos o primeiro, o segundo e, em grande parte, o terceiro nível da liderança. Mas estamos a lidar com um homem que acredito ser o mais respeitado e o líder” do país, explicou o Presidente norte-americano à comunicação social, no aeroporto de Palm Beach (Florida), onde passou o fim de semana.
Garantindo não se tratar do ‘ayatollah’, Trump admitiu não saber se o novo líder supremo do Irão está vivo.
“Não temos notícias do filho. De vez em quando aparece uma declaração, mas não sabemos se está vivo”, disse.
Mojtaba Khamenei tornou-se líder supremo da República Islâmica após a morte do pai no ataque de 28 de fevereiro, quando começou a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.






