O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, a garante que o município vai continuar a “trabalhar e densificar o ecossistema em torno da economia do mar”.
Falando na conferência ‘A Economia do Mar – Do vento às ondas de inovação’, no âmbito dos 50 anos do Poder Local, o autarca vianense assumiu que “todos nós sentimos que a economia azul é uma oportunidade, por todo o processo associado às atividades económicas e ao impacto que tem a nível social”.
Lamentando o “adiamento” de um real investimento nacional na economia azul, Luís Nobre deixou a garantia que que “Viana do Castelo vai continuar a investir no mar e quer que este tema seja abraçado de forma definitiva”.
“Precisamos mesmo de decidir neste domínio, para que se possam dar reais oportunidades às atividades já existentes e permitindo o surgimento de outras atividades em torno do mar”, dando como exemplos a academia, a investigação, a construção e reparação naval, as energias renováveis, entre outros.
Na abertura da conferência, também o diretor do Jornal de Notícias, Rafael Barbosa, considerou que, em Viana do Castelo, “a economia do mar é muito mais do que um chavão” já que “é ambição do município atrair investimentos públicos e privados na ordem dos 1000 milhões de euros até esta década”.
ATMOSFERA/OCEANO
O orador convidado, Manuel Tarré, Presidente do Conselho para a Economia do Mar da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), considerou que investir na economia azul “não se trata de colocar só turbinas no mar, mas de dominar o conhecimento sobre o interface atmosfera/oceano”.
“O mar deverá ser não um espaço de pesca e passagem, como tem sido até agora, para se tornar um motor de sustentabilidade global”, considerou Manuel Tarré, afirmando que este investimento nacional “nos dará uma outra grandeza”. Na sua apresentação, recordou que Portugal é o maior consumidor de pescado per capita da União Europeia, com valores que rondam os 59/60 quilos, muito acima dos 21 quilos de média mundial ou dos 24 quilos de média da União Europeia.
CADEIA DE VALOR COMPLEXO
A fechar a sessão, Álvaro Santos, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), referiu que “a economia do mar assume uma importância estratégica inequívoca para o Norte e para o país”, uma área “que deixou de ser sectorial para se afirmar como eixo estruturante do desenvolvimento económico, industrial, energético e territorial”.
“A economia do mar é uma cadeia de valor complexa que integra conhecimento científico, capacidade industrial, financiamento, ordenamento do território e sustentabilidade ambiental. A região Norte reúne condições particularmente favoráveis para assumir um papel de liderança neste processo – dispõe de tradição industrial, competências técnicas consolidadas, de universidades, centros de investigação reconhecidos, infraestruturas portuárias relevantes e de uma posição atlântica estratégica”, frisou, mas afirmando que o “somatório destes ativos não produz, por si só, desenvolvimento”, pelo que é preciso “articulá-los através de uma visão estratégica coerente, prioridades claras e uma governação orientada para resultados”.
Para tal, Álvaro Santos defendeu que o investimento na economia azul “exige um planeamento regional consistente e continuidade das políticas públicas”. Por isso mesmo, frisou o Presidente da CCDR-Norte, “a afirmação do Norte na economia do mar dependerá da nossa capacidade coletiva de transformar reflexão em execução, estratégia em investimento qualidade e potencial em criação efetiva de valor”.






