O candidato presidencial André Ventura recusou esta segunda-feira comentar os vídeos que mostram um deputado do Chega num autocarro com elementos do grupo neonazi 1143 para uma manifestação anti-imigração, atacando a comunicação social.
Numa arruada na Baixa da Banheira, no concelho da Moita, o também presidente do Chega foi questionado pela comunicação social sobre os vídeos que circulam do deputado Rui Afonso a partilhar uma viagem com elementos do grupo neonazi 1143 para uma manifestação anti-imigração em Lisboa.
André Ventura recusou-se a comentar essa ligação, optando antes por atacar os jornalistas.
“Acho que nós devemos é falar de um vídeo que está a circular de disparos ao pé de crianças”, vincou, alegando que parte da comunicação social é “dominada” pela esquerda e acusando-a de querer proteger criminosos: “Infelizmente, é o que vocês continuam a fazer.”
POR ORDEM NO PAÍS
Na mesma arruada em que falou de “bandidagem” e de querer “pôr o país na ordem”, o candidato não teceu uma única palavra sobre essa viagem do deputado do Chega com elementos desse grupo, que foi recentemente alvo de uma grande operação da PJ, que levou à constituição de 37 arguidos, suspeitos de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.
A presença do deputado Rui Afonso num dos autocarros, em que seguiam vários membros do grupo 1143 foi noticiada pela revista Sábado, em setembro de 2024, ressurgindo agora o vídeo face à operação da PJ contra aquela organização neonazi.
Já na semana passada, André Ventura não fez qualquer referência aos três militantes do partido que tinham sido detidos na operação que visou aquela organização neonazi, optando também nessa circunstância por se voltar contra a comunicação social.
Durante a arruada na Baixa da Banheira, Ventura voltou a distribuir “selfies” e beijinhos, numa ação com cerca de 50 pessoas onde se entoaram vários cânticos.
Aos jornalistas, Ventura insistiu na ideia de que encabeça uma “candidatura do povo contra a candidatura do sistema”, acusando Seguro de fugir da rua.
Durante curtas declarações, o candidato presidencial alegou que, caso vença, os “bandidos vão ser postos na cadeia”, apesar de em Portugal haver separação entre os poderes executivo, legislativo e judicial.






