Cerca de 60 cidades de 25 províncias do Irão foram palco de protestos desde o último domingo, nos quais pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas um agente, e pelo menos 582 ficaram detidas
Vários manifestantes morreram no Irão no sétimo dia de protestos contra o colapso económico do país que continuaram até ao final do sábado em cerca de 12 cidades do país, em algumas das quais ocorreram confrontos com as forças de segurança.
As manifestações ocorreram em cidades como Teerão, Shiraz, Mashad, Isfahan, Karaj e Malekshahi, entre outras, com ‘slogans’ contra a República Islâmica.
Segundo a agência de notícias Efe, as imagens divulgadas por ativistas nas redes sociais mostram um forte destacamento de forças policiais e de segurança, bem como o uso de gás lacrimogéneo, tiros e detenções em diferentes cidades.
Em Malekshahi, no oeste do país, ocorreram fortes confrontos entre manifestantes e forças de intervenção, que, segundo a agência Fars, causaram a morte de três pessoas.
O meio de comunicação, ligado à Guarda Revolucionária, descreveu o que aconteceu como “distúrbios quase terroristas” na cidade de Malekshahi e referiu que manifestantes armados enfrentaram os agentes.
De acordo com dados da Hrana, organização não-governamental iraniana de oposição, com sede nos Estados Unidos, cerca de 60 cidades de 25 províncias do Irão foram palco de protestos desde o último domingo, nos quais pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas um agente, e pelo menos 582 ficaram detidas.
Os meios de comunicação oficiais descreveram um ambiente de distúrbios no país, atribuídos a manifestantes armados ou a atores estrangeiros, a quem o líder supremo iraniano, Ali Jameneí, acusou no sábado de abusar dos protestos económicos dos comerciantes e apelou para que fossem “colocados no seu lugar”.
Os protestos começaram no domingo passado em Teerão, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores económicos afetados pela deterioração da situação económica, a queda do rial e a alta inflação.
No entanto, com o passar dos dias, as mobilizações adquiriram um caráter político marcado, com ‘slogans’ diretos contra a liderança do país e o sistema da República Islâmica.
O Irão atravessa uma profunda crise económica, com uma inflação anual superior a 42% e uma inflação interanual que, em dezembro, ultrapassou os 52% em relação ao mesmo mês do ano anterior, num contexto marcado pelas severas sanções dos Estados Unidos e da ONU contra o país devido ao seu programa nuclear.






