O secretário-geral da CGTP considerou que Luís Montenegro teve “um dia mau” esta quarta-feira, quando comparou a estrutura sindical com o partido Chega, durante o seu discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PSD.
“Todos nós temos dias maus”, começou por dizer Tiago Oliveira nos estúdios da RTP. “Temos dias maus, dias em que dizemos disparates e acho que o primeiro-ministro teve, de facto, um dia mau em que disse o disparate que disse”, afirmou.
Luís Montenegro tinha afirmado que partido e sindicato eram semelhantes, tendo em conta que ambos tinham pedido para que se rasgasse a atual proposta da reforma laboral e que se começasse do zero.
“Muitas vezes diz-se e bem que os extremos tocam-se. Neste caso concreto é que nem uma luva”, disse o primeiro-ministro.
Tiago Oliveira, em reação a este comentário, considerou que o importante é “não valorizar aquilo que foi a dimensão desse disparate” de Luís Montenegro, apontando a postura do Governo nas negociações para a reforma laboral como o verdadeiro cerne da questão, acusando o Executivo de dizer “falsidades”.
“A questão qual é? É que o Governo apresentou um conjunto de medidas de revisão da legislação laboral, a CGTP contrapôs com as suas propostas e o Governo […] não incluiu nem uma única proposta da CGTP neste pacote laboral. E depois, obviamente, para levar a cabo aquilo que é o objetivo deste Governo de concretizar esta revisão da legislação laboral, excluiu a CGTP das reuniões”, afirmou o secretário-geral.
“Aquilo que o Governo está a fazer é uma birra autêntica. O que está a dizer é assim: ‘Ou vocês discutem na base daquilo que nós queremos ou a gente afasta-vos da discussão’. E nós não permitimos”, atirou Tiago Oliveira.
E recordou que na semana passada, durante uma reunião da concertação social, a estrutura sindical “disse novamente ao Governo que a CGTP nunca se pôs de fora de qualquer tipo de discussão, de qualquer tipo de negociação”.
“Isto é uma estratégia”, considerou ainda Tiago Oliveira. “É uma estratégia que está montada, que está bem delineada e à qual o Governo vai ter de responder”.
A próxima reunião sobre a reforma laboral vai acontecer já na próxima segunda-feira, 16 de março, pelas 15h00, no Ministério do Trabalho, em Lisboa. Para a negociação com o Governo foi convocada a UGT e as confederações empresariais. A CGTP ficou de fora.






