O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou este domingo que a atuação dos Estados Unidos da América face à Venezuela representa “uma violação do direito internacional” e criticou duramente o Presidente norte-americano, Donald Trump, por aparentar estar “mais interessado no petróleo do que na democracia”.
“Que há uma violação do direito internacional, já ontem [sábado] eu disse de manhã. Não oferece nenhuma dúvida, não vale a pena estarmos a ser hipócritas. Há uma violação do direito internacional? Com certeza que há”, afirmou Marques Mendes, em declarações aos jornalistas.
O candidato sublinhou que este caso não é isolado, defendendo que, nos últimos anos, as regras internacionais têm sido sistematicamente desrespeitadas. Na sua leitura, a fragilidade do sistema internacional é evidente. “Nos últimos anos, no mundo, só há violações do direito internacional”, disse, apontando diretamente o dedo à inoperância das Nações Unidas. “As Nações Unidas não funcionam.”
Sobre a situação concreta na Venezuela, Marques Mendes considera que os acontecimentos já não têm retorno. “Aquele golpe já se deu. Já não se pode revogar o que aconteceu”, afirmou, acrescentando que a discussão agora deve centrar-se no futuro do país. “O golpe já se deu, independentemente de se concordar ou não concordar com ele.”
Ainda assim, deixou claro que rejeita qualquer substituição da soberania venezuelana por decisões externas. “Agora têm de ser os venezuelanos a decidir o seu futuro. Não podem ser os Estados Unidos a substituir-se à soberania da Venezuela”, defendeu.
No meio da crise, o candidato destacou o que considera ser o elemento central do momento atual. “Já que cai um ditador, e esta é a grande notícia no meio disto tudo, um ditador dos piores que o mundo teve, então que se concretize um processo democrático”, afirmou. Para isso, disse, é essencial reduzir a incerteza, dar a palavra ao povo venezuelano e garantir que a queda do regime resulte num sistema verdadeiramente democrático.
Marques Mendes não escondeu a sua desilusão com a postura da Casa Branca. “Fiquei um pouco dececionado com o Presidente dos Estados Unidos, que parecia que estava mais interessado no petróleo do que na democracia”, concluiu.






