O pedreiro português que matou a sogra em Vigo, Galiza, há 20 anos, não vai sair da prisão, pelo menos para já, uma vez que continua a não assumir o crime.
De acordo com o La Voz de Galicia, o tribunal considera que Manuel Fernando Almeida continua a demonstrar “falta de empatia” para com as vítimas – a mulher, que ficou gravemente ferida, e a sogra, que acabou por morrer – do incêndio criminoso que provocou em A Ferrería.
Nem agora, com 71 anos, o português assume o homicídio que cometeu, por isso os juízes consideram “prematuro” conceder-lhe liberdade condicional.
CONDENADO A 38 ANOS
Foi em março de 2008 que o Tribunal de Pontevedra, localizado na Galiza, condenou Manuel Fernando Almeida a 38 anos e meio de prisão, pelo homicídio da sogra e tentativa de homicídio da mulher.
Na altura, o tribunal deu como provado que o arguido, quis matar a mulher, regando-a com gasolina e ateando-lhe fogo, o que só não aconteceu porque ela conseguiu fugir de casa, atirando-se pela janela, de uma altura de três metros.
Quem acabou por morrer foi a sogra, uma idosa de 88 anos que estava acamada, com doença de Alzheimer, que não se conseguia mover e que sofreu várias queimaduras em todo o corpo, acabando por sucumbir por asfixia.
TENTOU MATAR A FILHA
O arguido era ainda acusado pelo Ministério Público (MP) espanhol de um outro crime de tentativa de homicídio, perpetrado sobre a filha, que também se encontrava em casa, mas o tribunal absolveu-o, considerando que ele pediu à menor para sair e até lhe abriu a porta, que previamente tinha fechado à chave.
Noticiou a agência Lusa na altura que o tribunal condenou ainda o arguido por maus-tratos continuados e por incumprimento de pena, já que estava “proibido” de se aproximar ou de comunicar por qualquer outro meio com a mulher.
Os factos remontam à noite de 4 de fevereiro de 2006, quando o arguido, recém-chegado de França, se dirigiu à casa, em Vigo, onde morava a mulher e os filhos, levando com ele uma garrafa de champanhe e uma outra com gasolina.
Explicou à mulher que o champanhe era para “brindar” à amizade entre os dois e, depois de a ter obrigado a beber, disse-lhe que lhe tinha também levado um “presente”, após o que tirou a garrafa com gasolina de dentro de um caixote.
CHEGA FOGO À MULHER
Depois de contar à mulher que tinha pensado em várias maneiras para a matar, como atirá-la ao rio ou passar-lhe com um carro por cima, Manuel regou-a com a gasolina e espalhou também algum combustível pelo soalho. Depois disso, pegou fogo com um isqueiro.
Envolta em chamas, a mulher atirou-se pela janela, conseguindo assim salvar a vida.
No julgamento, o arguido, que já tinha sido condenado, em 2004, por maus-tratos e violência doméstica, a 20 meses de prisão, alegou que tudo não passou de um “terrível acidente”, uma versão que mantém até agora, duas décadas depois.
Disse que a gasolina era para o automóvel e que, acidentalmente, a garrafa caiu e verteu todo o combustível no solo e que o fogo começou quando tentava apagar o cigarro que estava a fumar.
A mulher sofreu várias queimaduras e teve mesmo que se submeter a uma operação plástica devido aos ferimentos provocados, tendo também fraturado várias costelas e desenvolvido uma síndrome ansioso-depressivo, que a obrigou a receber tratamento psicológico durante anos, depois de ter estado internada durante 84 dias no hospital, tendo as lesões demorado 328 dias a sarar.






