A PJ lançou ao início de manhã desta terça-feira uma operação, de norte a sul do país, de combate a crimes de ódio cometidos contra imigrantes, confirmou fonte da corporação.
A CNN Portugal noticiou que a Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária tem em curso uma megaoperação contra o grupo de extrema-direita 1143, liderado pelo neonazi Mário Machado, tendo já sido emitidos mais de 30 mandados de detenção.
Em causa estão atos de discriminação e incitamento ao ódio, que têm como vítimas imigrantes de países islâmicos.
O líder Mário Machado já está detido por crimes da mesma natureza, mas a PJ suspeita que continua a passar instruções aos restantes membros a partir da prisão, de acordo com a informação avançada pela CNN Portugal.
Fonte próxima do processo disse, entretanto, à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas durante a manhã.
A investigação da PJ incide sobre a difusão de mensagens e outros conteúdos xenófobos e racistas nas redes sociais, que acabam em ações violentas de rua com palavras de ordem de incitamento ao ódio contra comunidades imigrantes.
No seu site, a PJ detalha que “foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais”, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, no âmbito desta operação que “decorreu em todo o país”.
O objetivo da operação ‘Irmandade’ passava, segundo a autoridade, por “desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.
Os seus elementos, de acordo com a informação citada no mesmo comunicado, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos”. Tudo com vista a “intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.
Mais concretamente, de acordo com a CNN Portugal, pessoas provenientes de países islâmicos, algumas das quais terão sido alvo de agressões durante manifestações recentes no país.
ÓDIO NAS REDES SOCIAIS
A PJ acrescenta ainda que os “visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções”.
A CNN Portugal reporta ainda que este caso da PJ se debruçou sobre a difusão de conteúdos xenófobos e racistas por via das redes sociais — entre os quais mensagens — que culminariam em ações de rua nas quais acabam por ser ecoadas palavras de incitamento ao ódio contra a população imigrante.
No terreno, foram “realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias” e constituídos “mais 15 arguidos”, no âmbito de uma iniciativa “que contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ”. A autoridade apreendeu ainda “um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas”.
A investigação está a ser realizada em articulação com o DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa.
Os detidos serão presentes na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para um primeiro interrogatório judicial, momento em que ficarão a conhecer as medidas de coação a que ficaram sujeitos.
Refira-se que já o Conselho da Europa, num relatório publicado em junho de 2025, apontava para uma tendência de crescimento no que concerne ao discurso de ódio em Portugal.
A Comissão Europeia Contra o Racismo e a Intolerância, que faz parte do Conselho, relatou a existência de “razões para a preocupação” devido a um “aumento acentuado do discurso de ódio em Portugal, direcionado principalmente a migrantes, pessoas ciganas, pessoas LGBTI e pessoas negras”.






