O PCP defendeu esta sexta-feira a necessidade de um “verdadeiro choque salarial”, com aumentos de pelo menos 150 euros, para responder à subida do custo de vida, criticando a política seguida pelo Governo PSD/CDS-PP.
Numa declaração na sede nacional do partido, em Lisboa, Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, alertou para as “novas subidas de preços de produtos e serviços” com a chegada de 2026, que vão provocar aumentos dos alimentos, telecomunicações ou transportes.
“Falamos de aumentos significativos, como 7% na carne e no peixe, 2,3% nas rendas de casa, 2,26% nos bilhetes ferroviários, 2,1% nas portagens, 6,2% nos correios ou de 6 a 10% nos seguros automóvel e de saúde”, disse.
Para o comunista, estes aumentos “não podem ser vistos isoladamente”, uma vez que o preço de bens e serviços medido pelo índice de preços no consumidor (IPC) já subiu 17,7% desde 2021, mas as despesas com produtos alimentares subiram 30,5% e com habitação e energia aumentaram 22,1%.
Alertando que o “orçamento mensal das famílias esgota-se quase na totalidade” com estas despesas, Jorge Pires sublinhou que as atualizações salariais e de pensões dos últimos anos “ficaram sistematicamente aquém das subidas dos preços dos bens e serviços essenciais” e as pessoas “têm visto o seu poder de compra estagnar ou degradar-se e as suas condições de vida piorar”.
“Mais de 2,5 milhões de trabalhadores têm hoje uma remuneração base mensal inferior a mil euros, ao mesmo tempo que o limiar da pobreza se situa nos 723 euros mensais, e o salário mínimo nacional acaba de ser fixado pelo Governo em 920 euros. Um valor muito aquém das necessidades dos trabalhadores, que depois de efetuado o desconto de 11% se situa pouco acima do limiar da pobreza”, alertou.
Jorge Pires considerou que, para 2026, o país precisa de uma “nova política” e de um “choque salarial”, com a subida do salário mínimo para 1.050 euros e um aumento de, pelo menos, 150 euros em todos os ordenados. Nas pensões, o PCP defende um aumento mínimo de 75 euros por pensionista.
O dirigente comunista acusou também o Governo de “propagandear uma descida do IRS” que “pouco significa para muitas centenas de milhares de trabalhadores”, porque “pouco ou nada beneficiam desta descida”, acrescentando que, com “tão baixos níveis salariais” não surpreende que “460 mil trabalhadores, meio milhão de reformados, 140 mil desempregados e 295 mil crianças façam parte dos 2 milhões de pobres no país”.
“A contrastar com a situação por que passa quem trabalha ou trabalhou no nosso país está a dos detentores dos grandes grupos económicos nacionais. (…) Nos últimos 5 anos, enquanto o poder de compra dos trabalhadores estagnou ou se degradou, estes grandes grupos económicos viram os seus lucros multiplicarem 2,7 vezes”, atirou.
Os comunistas querem ainda, neste novo ano, uma maior aposta no SNS e na educação, o controlo de preços dos principais bens e serviços integrantes do “cabaz de compras das famílias trabalhadoras”, o acesso à habitação e a descida dos juros.
“Estes são fatores essenciais para melhorar as condições de vida do nosso povo e desenvolver o país. Esse deveria ser o sentido das medidas anunciadas com o início do novo ano. Mas, como repetidamente vimos denunciando, esse não é o caminho que o Governo PSD e CDS têm vindo a trilhar, com o apoio do Chega, da Iniciativa Liberal e do PS”, considerou.






