Os parques eólicos ‘offshore’ previstos para Viana do Castelo e Figueira da Foz podem criar até 9.400 empregos na fase de construção, impactar a qualidade dos ordenados e aumentar a população residente, revela um estudo das associações empresariais.
O documento, a que a Lusa teve acesso esta quarta-feira, estima um potencial impacto económico agregado no volume de negócios anual dos parques de produção de energia eólica ‘offshore’ de Viana do Castelo e da Figueira da Foz na ordem dos 674 milhões de euros.
“As estimativas […] apontam um potencial de impacto económico agregado anual da ordem dos 127 milhões de euros de aumento no volume de negócios das empresas da região de Viana do Castelo, e de 547 de aumento no volume de negócios no tecido empresarial da região da Figueira da Foz”, descreve o estudo Impacto dos Parques de Energia Marítima Offshore na Estrutura Empresarial das regiões de Viana do Castelo e Figueira da Foz.
O documento conclui que os impactos socioeconómicos estimados apontam para a criação, na região de Viana do Castelo, de entre 1.300 a 1.400 empregos na fase de construção, para além de 120 empregos na fase operacional.
Na zona da Figueira da Foz, “estima-se a criação de 7.500 a 8.000 empregos na fase de construção, e mais de 700 empregos nos 25 anos de exploração do parque eólico”, acrescenta o estudo, promovido pela Associação Empresarial de Viana do Castelo – Câmara de Comércio e Indústria e pela Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz.
Estas estimativas “dizem respeito ao valor global de criação de novos empregos na região (até 100 quilómetros, ou com tempo de viagem de superior a uma hora), sendo que os novos empregos que surgirão em cada um dos concelhos (Viana do Castelo e Figueira da Foz) deverão corresponder a cerca de metade destes valores”, explica.
Os investimentos associados “deverão superar 3.000 milhões de euros em Viana do Castelo e os 15.000 milhões de euros, no caso da Figueira da Foz”, acrescenta.
NOVOS RESIDENTES
As associações esclarecem que o estudo partiu da “recente aprovação do PAER (Plano de Afetação de Espaço Marítimo para Energias Renováveis Offshore)” e tem por base “a envolvente contextual, transacional e socioeconómica que estará na base dos efeitos esperados de implementação dos dois parques eólicos offshore de Viana do Castelo (800 MW) e da Figueira da Foz (4,6 GW)”.
O estudo identificou também “importantes” impactos ao nível do aumento da população residente. As estimativas referem um aumento de população no concelho de Viana do Castelo da ordem dos mil novos residentes na fase de construção, que depois estabilizará em torno de 200 a 300 novos residentes na fase de operação e manutenção.
“A verificarem-se estas projeções, é evidente que poderá haver outros impactos sociais a ter em atenção, relativos ao preço das casas e oferta de habitação, trânsito e serviços públicos (escolas, creches, hospitais, segurança, transportes), e a necessidade de monitorizar outros impactos prováveis relativos a aumento de residentes estrangeiros, descaracterização das cidades e/ou dos seus perfis turísticos e identitários”, alerta a investigação.






