O Exército israelita admitiu esta sexta-feira ter matado um rapaz palestiniano de 14 anos na aldeia de Al Mughair, na Cisjordânia ocupada, justificando a ação ao classificá-lo como “terrorista” por se ter aproximado das tropas transportando uma pedra.
Num comunicado, as Forças Armadas israelitas informaram que “foi identificado um terrorista a correr em direção aos soldados com uma pedra, representando uma ameaça iminente”, tendo sido efetuados tiros de aviso antes de disparos destinados a “eliminar o terrorista”.
Os porta-vozes militares israelitas já afirmaram noutras ocasiões que consideram como “terrorista” qualquer palestiniano que ataques israelitas, incluindo em situações que envolvem apenas o lançamento de pedras.
Segundo o mesmo comunicado, os soldados deslocaram-se à zona após receberem um alerta de que “vários terroristas” estariam a “atirar pedras, a incendiar pneus e a bloquear as vias de acesso” na região de Al Mughair.
Fontes locais denunciaram desde a manhã desta sexta-feira uma presença “sem precedentes” de colonos israelitas nas imediações da aldeia, divulgando fotografias e vídeos para alertar para episódios de violência.
Os confrontos entre colonos e habitantes locais são frequentes durante incursões na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, onde os colonatos são considerados ilegais pelo direito internacional.
Testemunhos recolhidos no local indicam que o Exército israelita fechou todos os acessos à aldeia, impedindo a circulação de pessoas e veículos.
Vídeos captados por moradores exibem veículos blindados israelitas no interior da aldeia e soldados a cercar um palestiniano encolhido no chão, apontando-lhe armas de fogo.
“As forças continuam a realizar buscas na área e estabeleceram bloqueios para localizar outros suspeitos envolvidos no incidente”, acrescentou o Exército israelita.
Segundo o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), pelo menos dois palestinianos foram mortos em ataques israelitas na Cisjordânia até 10 de janeiro.
Em 2025, esses ataques causaram a morte de 242 palestinianos, 55 dos quais menores de idade, número que sobe para cerca de 1.060 desde 7 de outubro de 2023, quando Israel intensificou as suas operações na Cisjordânia após os ataques das milícias de Gaza.






