Uma organização não-governamental indicou esta quinta-feira que pelo menos 45 manifestantes morreram desde o início dos protestos no Irão, no final do mês passado. Entretanto, a Internet foi desligada em todo o país.
De acordo com um novo balanço da organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, oito menores foram contados entre as vítimas mortais.
O diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que a repressão “está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia”, tendo já causado centenas de feridos e mais de 2000 detenções.
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo e munições reais para dispersar protestos em várias cidades, sobretudo em Kermanshah e Kamyaran, enquanto em Abadan uma mulher foi atingida no olho por uma bala durante uma manifestação.
A passada quarta-feira foi o dia mais mortífero desde o início das manifestações, com 13 mortos registados num único dia, num movimento de protesto que dura há 12 dias e tem sido marcado por confrontos em várias cidades do país.
As autoridades iranianas e os meios de comunicação estatais reportaram, por seu lado, pelo menos 21 mortos desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da agência de notícias France-Presse.
Entretanto, a Internet foi desligada em todo o Irão neste 12.º dia de protestos contra o Governo, referiu uma ONG citada pela agência de notícias France-Presse.
De acordo com a ONG Netblocks, o país atravessa um “apagão nacional da internet”, baseado em dados em tempo real, medida que surge após uma série de restrições digitais cada vez mais rigorosas e que prejudica o direito à comunicação num momento crítico.
Perante a escalada da violência, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, apelou para “máxima moderação”, defendendo que “todo o comportamento violento ou coercivo deve ser evitado”, ao mesmo tempo que pediu diálogo e escuta das reivindicações populares.
O presidente do Supremo Tribunal, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, garantiu que não haverá tolerância para quem, segundo as autoridades, contribua para a instabilidade. “Se alguém sair à rua para provocar motins, criar insegurança ou apoiar essas ações, então não resta qualquer desculpa”, afirmou. “A questão tornou-se muito clara e transparente. Estão agora a operar em linha com os inimigos da República Islâmica do Irão.”
REAÇÃO DE GUTERRES
A escalada da repressão e o número crescente de vítimas levaram a uma reação da comunidade internacional. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinhou esta semana a necessidade de evitar novas mortes relacionadas com os protestos.
Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, Guterres apelou às autoridades iranianas para que respeitem os direitos fundamentais.
“Ele também apela às autoridades para que salvaguardem o direito à liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica”, afirmou Dujarric, acrescentando que “todas as pessoas devem poder manifestar-se pacificamente e expressar as suas queixas”.
O apagão da internet, ao limitar drasticamente a comunicação interna e externa, surge assim como mais um elemento de controlo num contexto de contestação social que continua a testar a estabilidade do regime iraniano.






