Um vencedor da lotaria nacional do Reino Unido ajudou a construir um império de drogas multimilionário, que envolvia a fabricação à escala industrial de comprimidos falsificados.
Foi em 2010 que John Eric Spiby, hoje com 80 anos, venceu um prémio de 2,4 milhões de libras, o equivalente a quase 2,8 milhões de euros – mas não foi o suficiente para o idoso.
Não se sabe ao certo quando é que o negócio terá começado, mas a investigação focou-se no período entre novembro de 2021 e maio de 2022, após terem recebido evidências (de um outro caso).
Segundo as autoridades, Spiby e outros três homens, incluindo o seu filho) inundaram a zona de Grande Manchester, no norte inglês, com comprimidos falsificados, que diziam ser diazepam.
A droga, também conhecida como Valium, é usada para tratar ansiedade, espasmos musculares e convulsões. Na realidade, o que os comprimidos que o gangue vendia continham também etizolam, uma substância que é, aproximadamente, dez vezes mais poderosa do que diazepam.
Em tribunal, foi também defendido Spiby, que liderava o grupo, foi quem “forneceu as instalações e ajudou a adaptá-las e a comprar maquinaria” no valor de milhares de libras para fabricar as drogas.
Foram ainda mostradas evidências que o grupo estaria também envolvido no tráfico de armas de fogo, nomeadamente AK47, pistolas Grand Power, silenciadores e munições.
“Apesar dos seus ganhos na lutaria, continuou a viver uma vida de crime, para além daquele que teria sido o seu ano de reforma”, disse o juiz Clarke KC a Spiby na terça-feira, 27 de janeiro, durante a leitura da sentença.
Clarke notou também que uma grande parte da produção ilícita se concentrava na casa de Spiby, numa “zona aparentemente rural e tranquila”.
Ao todo, a investigação estima que o esquema tenha valido ao gangue cerca de 288 milhões de libras (quase 333 milhões de euros), naquela que o juiz considerou ser a “maior produção de drogas deste tipo alguma vez descoberta pela polícia”.
Jonh Spiby foi condenado a 16 anos e seis meses de prisão por conspiração para produzir e fornecer drogas de classe C, dois crimes de posse de arma, posse de munição e perverter o curso da Justiça.
O seu filho, de 37 anos, foi condenado a outros 9 anos por conspiração para produzir e fornecer drogas de classe C. Os outros dois membros do grupo Lee Drury, de 45 anos, e Callum Dorian, de 35, foram condenados a 9 anos e 9 meses e 12 anos, respetivamente.






