“Uma Assembleia onde cada voz conta” é o que pretende ser o Sindicato de Espetadores criado pelo Teatro da Didascália, de Joane, anunciou esta quinta-feira a companhia teatral de Vila Nova de Famalicão.
“Não acreditamos num público passivo. Acreditamos no espetador enquanto sujeito político. Assistir é um gesto criativo e o teatro só existe plenamente quando esse olhar é exercido em liberdade e em diálogo com outros. É neste contexto que nasce o Sindicato de Espetadores”, explica a companhia teatral.
O Sindicato surge porque “a neutralidade deixou de ser uma opção inocente” face “avanço da extrema direita, a normalização do discurso do ódio e a instrumentalização do medo”.
Sem alinhamento partidário, a iniciativa surge “como compromisso ético e político com a democracia, a justiça, a igualdade e a dignidade humana”.
“A história mostra-nos que a democracia exige envolvimento ativo, confronto de ideias e coragem coletiva. Sair da bolha implica escutar o outro e aceitar o desconforto. Criar espaços onde as diferenças não são apagadas, mas colocadas em diálogo. Implica regressar ao espaço comum, físico e simbólico, onde o encontro e a democracia se constroem. Habitar o espaço comum é um ato político”, diz a Didascália.
O Sindicato de Espetadores surge em “torno de ações concretas”: leituras e discussão de textos teatrais, oficina de teatro, formações com o Teatro da Didascália e convidados, visionamento coletivo de espetáculos, sessões de análise e crítica, participação em processos de programação cultural, ações públicas, assembleias e encontros abertos. Isto porque “o teatro pode ser um lugar de representação, mas é sobretudo um lugar de reflexão partilhada”.
O formulário de inscrição está disponível em www.teatrodadidascalia.com
Fernando Gualtieri (CP 7889)






