Charles ‘Sonny’ Burton, afinal, não vai ser executado por um crime que não cometeu. A decisão foi tomada esta terça-feira – apenas dois dias antes do dia marcado para a execução – pela governadora do Alabama, Kay Ivey.
Os factos que levaram à prisão de Burton remontam a 1991, quando o recluso e cinco outros homens assaltaram uma loja AutoZone em Talladega, no estado de Alabama, nos Estados Unidos, que resultou na morte de um cliente, Doug Battle.
Burton admite que entrou na loja, com uma arma em riste, que tirou o dinheiro de um cofre nas traseiras do estabelecimento… mas que nada teve que ver com o homicídio. Cometido o roubo, saiu da loja e ficou à espera do carro para a fuga.
Lá dentro, contudo, o assalto continuava. Derrick DeBruce, um dos cúmplices de Burton, disparou contra Battle, de 34 anos, matando-o.
“DeBruce bateu em Battle, atirando-o ao chão, e depois atingiu-o mortalmente nas costas. Burton já tinha saído da loja quando o disparo ocorreu”, pode ler-se na resposta do Supremo Tribunal dos Estados Unidos a um pedido de Burton para o adiamento da sua execução.
Burton, mesmo assim, foi condenado à morte pelo homicídio. Enquanto isso, DeBruce, que inicialmente recebeu a mesma pena, acabou por ter a sentença alterada para prisão perpétua. O homem morreu na prisão em 2020.
A condenação de Burton foi permitida sob uma doutrina legal que permite que os procuradores possam tratar qualquer pessoa envolvida em certos crimes, como roubos ou furtos, como igualmente responsáveis se um homicídio ocorrer nessa altura – mesmo que o acusado não tenha sido o homicida.
“FALHA NO SISTEMA”
Perante a situação, Burton tinha apenas duas opções: um indulto da governadora do Alabama ou uma ordem de suspensão da execução por parte do Supremo Tribunal. A primeira hipótese veio agora a concretizar-se.
“Doug Battle foi brutalmente assassinado por Derrick DeBruce enquanto comprava partes de automóvel numa loja. Mas DeBruce acabou por ser condenado a pena perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Charles Burton não disparou contra a vítima, não ordenou o atirador para disparar contra a vítima e já tinha saído da loja quando o disparo aconteceu. E, mesmo assim, o sr. Burton iria ser executado enquanto, DeBruce pode viver o resto da sua vida na prisão”, pode ler-se num comunicado partilhado esta terça-feira por Kay Ivey, citado pela NBC News.
E acrescentou: “Não posso proceder em boa consciência com a execução do sr. Burton em circunstâncias tão díspares. Acredito que seria injusto um participante neste crime ser executado, enquanto que o participante que puxou o gatilho não foi”.
A posição da governadora, note-se, mudou no espaço de um mês. Quando assinou a ordem de execução de Burton, Ivey chegou a afirmar que “não tinha planos para conceder clemência neste caso”.
O indulto a Burton acontece após uma série de pessoas se ter pronunciado em apoio ao recluso, incluindo, até, a filha do homem assassinada, Tori Battle. A mulher que, na altura da morte do pai tinha apenas 9 anos, considerou que a execução de Burton não era justiça, mas sim “uma falha no sistema que em nada honra a memória” do seu pai.
Com NM






