O enviado do secretário-geral da ONU para o conflito no Médio Oriente chegou esta terça-feira a Teerão para reuniões com representantes iranianos, no primeiro dia de um cessar-fogo que interrompeu mais de um mês de guerra na região do Golfo.
De acordo com um comunicado da ONU, Jean Arnault deslocou-se à República Islâmica a pedido do secretário-geral, António Guterres, para “apoiar os esforços diplomáticos e promover um acordo para pôr fim às hostilidades”, desencadeadas pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro, e que se alastraram a outros países da região.
Durante a visita, o enviado de Guterres vai reunir-se com dirigentes iranianos para “ouvir a sua posição sobre a situação e conhecer a sua perspetiva sobre o caminho a seguir”, indicou o comunicado.
Arnault elogiou o acordo alcançado na terça-feira à noite, com mediação do Paquistão e de outros países (Egito, Turquia e Arábia Saudita), que inclui um cessar-fogo de duas semanas, destinado a criar espaço para o avanço de negociações e que abre “uma janela para a diplomacia”, segundo o comunicado da organização internacional.
O enviado das Nações Undas expressou confiança de que os líderes da região vão optar pelo diálogo e pela proteção dos civis e afirmou que, durante a sua deslocação, pretende reiterar o compromisso de Guterres de “não poupar esforços para apoiar uma solução pacífica”.
No final de março, o secretário-geral nomeou o diplomata francês, que trabalha em processos de paz há mais de três décadas, como seu enviado no âmbito dos esforços da organização para pôr fim ao conflito.
GUTERRES SAÚDA CESSAR-FOGO
António Guterres saudou o anúncio do cessar-fogo na noite de terça-feira e instou as partes em conflito a “cumprirem as suas obrigações” perante o direito internacional.
O dirigente da ONU agradeceu ainda ao Paquistão e a outros países pelos seus esforços na promoção desta trégua, anunciada perto do fim do prazo dado ao Irão pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para levantar o seu bloqueio à navegação comercial no Estreito de Ormuz sob ameaça de apagar “uma civilização inteira”.
Durante a trégua, anunciada pelo líder da Casa Branca e confirmada por Israel e Irão, estão previstas negociações para um acordo de paz baseado numa proposta de dez pontos enviada por Teerão.
Como parte do cessar-fogo, o Irão comprometeu-se a autorizar a passagem de navios no Estreito de Ormuz, após mais de um mês de um bloqueio parcial que fez disparar os preços de petróleo e gás natural em todo o mundo.
As negociações terão início na sexta-feira em Islamabad, segundo o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
O Governo israelita anunciou que concordou com o cessar-fogo, mas esclareceu que a trégua não inclui o Líbano, onde mantém uma frente aberta desde o início de março contra o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão.






