O emprego e o turismo cresceram, houve valorização salarial dos trabalhadores e sinais de desaceleração “em alguns setores” da economia do Norte no terceiro trimestre de 2025, revela um relatório divulgado esta quinta-feira.
“A região Norte manteve um desempenho económico positivo no terceiro trimestre de 2025, com destaque para o crescimento do emprego, valorização dos salários e evolução favorável do turismo, apesar de sinais de desaceleração em alguns setores”, conclui-se no relatório trimestral Norte Conjuntura, elaborado e difundido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
De acordo com o documento consultado pela Lusa, “a população empregada no Norte cresceu 2,4%, em termos homólogos, no terceiro trimestre de 2025, atingindo 1,8 milhões de pessoas”.
De acordo com a CCDR-N, está em causa “o valor mais elevado desde 2011”, num período em que Portugal registou “um acréscimo homólogo de 3,7%”. O crescimento do emprego no Norte resultou dos acréscimos nos setores secundário (3,6%) e terciário (2,0%).
Este crescimento “foi impulsionado pelos setores secundário (mais 3,6%) e terciário (mais 2,0%), com destaque para as indústrias transformadoras (mais 4,8%, mais 19,7 mil postos de trabalho) e para as atividades de informação e comunicação (mais 34,0%, mais 18 mil empregos)”, descreve a CCDR-N.
Já a taxa de desemprego no Norte “diminuiu para 6,1% no terceiro trimestre de 2025, menos 0,1 pontos percentuais face ao período homólogo, mantendo-se acima do valor nacional de 5,8%”.
O salário líquido mensal dos trabalhadores por conta de outrem no Norte “observou um aumento real de 4,8%, em termos homólogos”, ainda que “inferior à média nacional (6,0%)”.
Os maiores aumentos salariais ocorreram na agricultura (mais 15,8%), construção (mais 13,1%) e transportes e armazenagem (mais 12,0%).
O turismo “manteve uma trajetória positiva, com as dormidas em estabelecimentos turísticos a crescerem 3% e os hóspedes 1,8%, ambos acima da média nacional”, segundo o relatório.
“Os proveitos totais ultrapassaram 407 milhões de euros, refletindo um aumento de 7,1%”, acrescenta.
As exportações de bens do Norte “registaram uma variação positiva de 0,4%, contrariando a tendência negativa do trimestre anterior, enquanto a nível nacional se verificou uma quebra de 0,5%”.
O licenciamento de edifícios diminuiu 3,2% no Norte, “interrompendo a tendência de crescimento observada nos trimestres anteriores”.
Quanto à taxa de inflação, aumentou para 2,9%, acima da média nacional (2,6%), marcada pelo aumento dos preços dos produtos alimentares não transformados (+7,4%).
Relativamente à dívida acumulada da economia do Norte (empresas e famílias), manteve uma trajetória ascendente no 3.º trimestre de 2025, observando um aumento homólogo de 6,5%.
O Norte Conjuntura reúne e analisa, desde 2006, a informação disponível mais relevante com vista à identificação precoce das tendências que marcam a evolução económica, a curto prazo, da região Norte no contexto nacional.






