António José Seguro ouviu este sábado várias preocupações de populares em Braga, mas também pedidos de uma eleitora social-democrata arrependida para “deitar a mão” a Luís Montenegro, e ainda para proteger o país de André Ventura.
“Vou lhe ser muito honesta, toda a vida votei – eu quero que isto vá para a televisão – toda a vida votei PSD, agora vou ter que mudar”, disse uma reformada a António José Seguro numa manhã agitada pelo mercado de Braga.
A mulher contou a Seguro que tinha votado em Luís Montenegro nas legislativas e que está agora “arrependidinha da vida”, pedindo: “deite a mão ao primeiro-ministro”.
“Deite a mão ao primeiro-ministro, que eu votei nele e estou arrependidinha da minha vida”, disse, sendo logo questionada por uma amiga de outro campo político sobre por que é que tinha votado em Montenegro, numa convesa da qual Seguro tentou sair de forma conciliadora.
“Agora eu tenho de lhe responder, não é? A senhora foi tão simpática com as suas palavras. Eu tenho falado desses assuntos: custo de vida, falta de oportunidades para os jovens, os preços das casas”, garantiu o candidato presidencial.
Acompanhado pelo deputado bracarense Pedro Sousa, o contacto feito com a população bracarense esta manhã de sábado no mercado, ao som de uma fanfarra constante, foi guiado pela máquina de campanha local que Seguro conhece bem – foi candidato a deputado pelo PS no distrito várias vezes – e ilustrou várias preocupações dos portugueses ao longo de mais de uma hora.
No mercado, Seguro ouviu ainda um apelo de um homem para protegesse o país “daquele homem”, referindo-se ao presidente do Chega e também candidato presidencial, André Ventura, que considerou uma ameaça.
“Proteja este país daquele homem, por favor. Convença os jovens porque eles acham que o país é como nós estamos agora, e não é. Faça-me esse favor”, ouviu. Seguro respondeu que foi “por isso” que voltou à política e que precisava da ajuda popular.
Já uma mãe de três filhos confessou-se “cansada de palavras”.
“Como é que eu hei de acreditar em si?”, questionou a senhora que esteve alguns minutos à conversa com Seguro, contando recentemente, lhe apareceram “uns nódulos na tiroide”, mas “só no fim de janeiro” é que o centro de saúde poderia ver os exames.
Seguro respondeu-lhe que tinha “toda a razão” em estar indignada, pedindo-lhe “uma oportunidade” e que lhe fosse dado “o benefício da dúvida”.
Questionada depois pelos jornalistas se tinha ficado “convencida”, Seguro intercetou a conversa e disse que “não é para convencer, é para falar com a senhora”.
“Nada me convence. Tanta palavra, nada convence”, admitiu a mulher, já com Seguro rumo a outra banca de frescos onde encontrou uma moradora – mais o marido doente – de um bairro da Misericórdia a quem o candidato, à procura de sorte, comprou duas cautelas da lotaria, ajudando ao seu “ganha-pão”.
“Não temos apoio de ninguém. Eu estava com o rendimento mínimo, retiraram-me na altura”, contou a idosa, referindo que a sua casa precisa de obras pois “está a cair”, “os forrinhos da cozinha caíram” e está cheia de “humidade”.
Seguro pediu o contacto da queixosa e disse-lhe para também procurar a junta de freguesia, descobrindo mais tarde que o presidente até estava na sua caravana e encaminhando-o para a idosa.
Já outra doente oncológica, visivelmente emocionada, também interpelou Seguro e manifestou-se contra “a lei que está das rendas e da ação dos despejos”, pois defende que deviam ser proibidos para idosos.
“Se o senhor for Presidente da República, deve vetar isso. Porque eu estou nesta casa há 36 anos, faz em agosto, e a senhoria tirou-me de lá. Fui obrigada a viver fora da Braga porque não conseguia”, contou.







