O grupo parlamentar do PCP remeteu ao Governo, através da Assembleia da República, um conjunto de questões a propósito de despedimentos coletivos em várias empresas do sector têxtil, abrangendo centenas de trabalhadores, noticiados nos últimos dias.
Concretamente estão em causa despedimentos nos grupos Polopique e StampDyeing, com unidades nos concelhos de Guimarães e Vizela, distrito de Braga, e Santo Tirso, distrito do Porto, que no conjunto empregam diretamente mais de 2000 trabalhadores.
Nos dois requerimentos dirigidos ao Executivo de Luís Montenegro, os comunistas perguntam se tem conhecimento da concretização destes processos de despedimento e da aprovação de um conjunto de Processos Especiais de Revitalização em empresas dos grupos Polopique, J.F. Almeida e StampDyeing.
Querem ainda saber se o Governo confirma “um potencial impacto direto” em mais de 2000 trabalhadores e se estão previstas medidas que garantam a salvaguarda dos postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores afetados.
Finalmente, o PCP pretende saber se o Governo está a “considerar medidas que defendam a produção nacional no setor têxtil e vestuário”.
“É inaceitável que continuem sempre a ser os trabalhadores os primeiros e principais atingidos quando o patronato decide cortar custos. É ainda mais inaceitável quando estamos perante processos que atingem famílias inteiras ou trabalhadores com muitos anos de empenhamento e esforço para resultados económicos e financeiros altamente positivos das empresas”, escreve o partido no documento enviado ao Governo.
NEM PARA A SOPA
E sublinha que o têxtil “é setor onde predomina o pagamento do salário mínimo e o pagamento de um subsídio de refeição que nem para pagar uma sopa dá, no valor de 2,4€”.
Dizendo não “ignorar as justificações avançadas pelas empresas, também elas em grande medida resultado de opções de sucessivos governos PSD/CDS e PS”, do aumento de preços das matérias primas, da energia ou aumento das taxas de juros, o PCP sublinha que as empresas em causa “apresentaram resultados significativos durante os últimos anos”.
Aponta que, segundo o INE, “as exportações do setor têxtil a partir do concelho de Guimarães registaram uma subida de mais de 2% em maio em comparação com período homólogo de 2024, num total superior a 73 milhões de euros”.
A terminar, os comunistas lembram que, em declarações citadas pelo jornal Público, o ministro da Economia, Castro Almeida, abordando a situação do setor, “não foi capaz de manifestar qualquer palavra de preocupação sobre a situação dos trabalhadores afetados, nem tão pouco de declarar qualquer ação concreta sobre a situação”.
CORTE DE GÁS
Entretanto, a SIC avançou que na Stampdyeing o trabalho está suspenso desde 24 de junho devido ao corte de gás por falhas no pagamento. Uma centena de trabalhadores continuaram a aparecer para cumprir horário até ao dia 14 de agosto, altura em que foram de férias, sem receberem o subsídio e o salário de julho.
Já a Polopique, J.F. Almeida anunciou que vai fechar duas unidades de confeção de vestuário e tecelagem e assim dispensar 274 funcionários.
Fernando Gualtieri (CP 7889)