Nem a chuva que caiu na manhã desta quinta-feira demoveu Catarina Martins de cumprir a visita à feira semanal de Barcelos. Em plena reta final da campanha para as eleições presidenciais, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda apostou no contacto direto com comerciantes e clientes, sublinhando a importância de uma campanha próxima das pessoas.
À hora marcada, pelas 09h30, o diretor de campanha ainda acreditava numa trégua de São Pedro, mas a chuva persistiu. Apesar disso, Catarina Martins percorreu as ruas da feira, protegida por um chapéu de chuva, sendo recebida com palavras de incentivo por vendedores e visitantes.
“Eu gosto de falar com toda a gente. Está a chover, estamos em janeiro, mas a campanha não pode ser feita fechada em salas. Vir aqui é um sinal de que quero falar com toda a gente”, afirmou a candidata aos jornalistas.
Entre bancas de legumes e fruta, Catarina Martins ouviu relatos de dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, preocupações com pensões e salários e desabafos sobre a pressão económica sentida no dia a dia. “As pessoas sabem que, se outros candidatos falam dos seus negócios e interesses, há alguém que fala do salário, da pensão, de quem constrói Portugal”, sublinhou.
Uma das comerciantes desejou-lhe sucesso de forma direta: “Tem que ir para lá para pôr isto melhor”, disse-lhe, num comentário que arrancou sorrisos à candidata.
Antes do início da campanha, um dos responsáveis pela organização, Ricardo Moreira, tinha adiantado que Catarina Martins faria questão de visitar feiras e mercados sempre que possível. A poucos dias das eleições de domingo, a chuva deixou de ser um obstáculo.
“Quando me perguntam qual é a cartada desta campanha, eu digo que a cartada é cada uma destas pessoas que viram aqui na feira, que sabe que eu as represento e que nunca deixarei na mão quem constrói Portugal”, afirmou.
Questionada sobre a participação, na véspera, do primeiro-ministro Luís Montenegro na campanha do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP, Luís Marques Mendes, Catarina Martins contrapôs que a sua força não está em figuras governativas. “A minha cartada não é um primeiro-ministro que tem tirado médicos ou professores, mas estas mulheres e estes homens que confiam em mim porque sabem que defendo quem trabalha neste país”, disse.
Entre os populares, maioritariamente idosos, a candidata cruzou-se também com duas jovens que se disseram admiradoras do seu percurso político. Depois de uma ‘selfie’, uma delas pediu um conselho para quem quer ter um papel ativo na política.
“Disse-lhe que a intervenção se faz sobretudo quando nos juntamos pelas causas em que acreditamos. Foi assim a minha vida toda”, contou Catarina Martins, admitindo que o encontro lhe trouxe esperança, sobretudo “num momento em que há tanta gente que acha que as mulheres devem voltar para casa”.
A candidata reforçou ainda que as sondagens não substituem o voto. “Sondagens não são votos. É no domingo que decidimos como defendemos Portugal”, concluiu.






