A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu esta quinta-feira novas e “severas” sanções a mais “responsáveis pelas atrocidades” no Irão, onde a repressão das manifestações contra o regime já provocou milhares de mortos.
“O povo do Irão que está a lutar corajosamente por uma mudança tem todo o nosso apoio, todo o nosso apoio político. Pede-nos também que incluamos na lista, não só a Guarda Revolucionária Islâmica, como já fizemos, mas também outros responsáveis pelas atrocidades (…) e sim, fá-lo-emos”, afirmou Von der Leyen.
Em conferência de imprensa na cidade cipriota de Limassol no âmbito da viagem do colégio de comissários a Chipre, que assume este semestre a presidência do Conselho da União Europeia (UE), a líder do executivo comunitário descreveu a situação no Irão como “abominável”.
“O assassinato de jovens é uma tragédia humana”, acrescentou.
Rejeitando comentar “as atividades de outros países”, nomeadamente dos Estados Unidos face ao Irão, Ursula von der Leyen apontou que Bruxelas está “a estudar a possibilidade de aprofundar as sanções contra o Irão”.
“As sanções são severas, por isso não as ignoraria. São severas e estão a surtir efeito — estão a enfraquecer o regime, e as sanções ajudam a impulsionar o fim desse regime e a mudança”, indicou.
Nas declarações à imprensa europeia, incluindo a agência Lusa, a presidente da Comissão Europeia adiantou também estar a “começar a trabalhar numa nova estratégia de segurança europeia” para dar “resposta adequada” às mudanças geopolíticas, que deverá ser apresentada até julho, recusando-se a explicar o que estará incluído.
PROTESTOS
Os protestos no Irão intensificaram-se no final de dezembro passado, impulsionados pelo agravamento da crise económica, pela elevada inflação e pelo descontentamento generalizado com o regime iraniano e a falta de liberdades civis.
As manifestações espalharam-se por várias cidades e têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança, com recurso a força letal.
Organizações de direitos humanos relatam milhares de mortos, milhares de feridos e detenções em massa, embora os números exatos sejam difíceis de confirmar devido a cortes no acesso à Internet e à censura estatal, o que tem gerado ampla condenação internacional.
A organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 as mortes registadas nos protestos que abalam o Irão há mais de duas semanas, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem protestos.
Teerão ameaçou realizar um ataque preventivo, alegando, sem apresentar provas, que Israel e os Estados Unidos orquestraram os protestos.






