O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a crescente instabilidade laboral nos setores do têxtil, vestuário e calçado na região Norte do país, alertando para o aumento do desemprego e para o impacto social e económico provocado pelo encerramento de empresas e pelos despedimentos coletivos. A iniciativa partiu do deputado Fabian Figueiredo, através de perguntas dirigidas ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial.
Segundo o Bloco, o ano de 2025 tem sido marcado por um agravamento da situação laboral nestes setores, em particular no Norte, contrariando a tendência nacional de descida da taxa de desemprego. Esta evolução é atribuída a uma vaga de encerramentos e despedimentos coletivos em empresas com forte implantação regional.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelo Jornal de Notícias, indicam aumentos do número de desempregados em vários concelhos do Norte entre novembro de 2024 e novembro de 2025.
Em Barcelos, o número de desempregados passou de 2.610 para 2.677, na Maia de 3.332 para 3.388, em Ponte de Lima de 631 para 752, em Viana do Castelo de 1.968 para 1.976, em Foz Côa de 137 para 144, em Vimioso de 90 para 101 e em Vizela de 906 para 982.
O Bloco de Esquerda aponta ainda diversos exemplos de empresas que encerraram ou avançaram com despedimentos, algumas consideradas referências nacionais, como a Polopiqué – Comércio e Indústria de Confecções, S.A., em Santo Tirso, a StampDyeing, do Grupo Mabera, e a Coelima, em Guimarães, a Darita, em São Torcato, a Bravisublime, em Selho São Lourenço, e a Confibérica, em Vizela.
A situação estende-se também ao setor têxtil ligado à indústria automóvel, com destaque para a empresa Coindu, que entre 2024 e 2025 despediu mais de metade dos seus trabalhadores e recorreu ao regime de lay-off para parte dos funcionários que permaneceram ao serviço.
De acordo com o partido, muitos trabalhadores, alguns com décadas de vínculo às empresas, ficaram subitamente sem salário, enfrentando situações de grande vulnerabilidade social, agravadas pela precariedade laboral e pelos baixos rendimentos característicos do setor.
Os despedimentos coletivos têm vindo a aumentar em Portugal, com dados dos primeiros sete meses de 2025, divulgados pelo Jornal de Notícias, a apontarem para 332 processos que resultaram no desemprego de 4.578 trabalhadores, dos quais 2.304 mulheres e 2.274 homens. Outros 110 trabalhadores viram o despedimento revogado ou encontraram soluções alternativas.
Neste contexto, e numa altura em que o Governo apresentou um anteprojeto de revisão do Código do Trabalho, o Bloco considera fundamental conhecer a resposta do executivo à perda de centenas de postos de trabalho, em particular no Vale do Ave, região fortemente dependente destes setores industriais.
Fabian Figueiredo questiona que apoios públicos, nacionais ou comunitários, estas empresas receberam ou recebem, e que medidas concretas pretende o Governo implementar para mitigar o impacto social e económico dos despedimentos.
O deputado pergunta ainda se o executivo está disponível para avançar com um plano de emergência de defesa dos postos de trabalho, apostando na formação profissional durante períodos de menor atividade e numa estratégia de reconversão industrial que valorize segmentos de maior valor acrescentado, com o objetivo de pôr termo à instabilidade laboral e aos baixos salários na região Norte.






