A ACIB – Câmara de Comércio e Indústria de Barcelos e do Cávado alertou para o risco que o setor têxtil enfrenta na região do Cávado-Ave, apontando que centenas de empresas poderão ser afetadas pelo aumento da concorrência internacional, pelos custos energéticos e pelo acordo comercial entre a União Europeia e a Índia.
Segundo a associação empresarial, a região exporta cerca de 2,7 mil milhões de euros, sendo aproximadamente 75,5% destinados ao mercado europeu, o que torna a indústria local fortemente dependente da evolução económica no espaço comunitário.
A ACIB considera que, no acordo comercial entre a União Europeia e a Índia, o setor têxtil terá sido “sacrificado como moeda de troca” para beneficiar outras áreas económicas, como o setor automóvel. Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas alfandegárias para produtos têxteis deverão cair para 0%, facilitando a entrada de vestuário e têxteis indianos no mercado europeu.
A associação destaca ainda declarações de Vijay Aggarwal, presidente do Cotton Textile Export Promotion Council (TEXPROCIL), citadas pela publicação especializada Apparel Resources, segundo as quais marcas internacionais como Zara, IKEA, OVS, JYSK, Aldi e C&A poderão reforçar significativamente o aprovisionamento na Índia após a implementação do acordo.
A previsão é de que as exportações indianas para a Europa cresçam cerca de 25% ao ano, o que poderá afetar diretamente a indústria da região, particularmente o setor do vestuário de malha.
GUERRA NO IRÃO AUMENTA CUSTOS
No caso do concelho de Barcelos, cerca de 70% das exportações dependem do setor têxtil, com forte ligação às encomendas do grupo Inditex, proprietário da marca Zara. A ACIB sublinha que esta dependência tem impacto direto na ocupação da capacidade industrial de muitas empresas locais.
Além da pressão competitiva, o setor enfrenta também o aumento dos custos energéticos, agravado pelo contexto de conflito envolvendo o Irão. A subida da fatura energética reduz as margens das empresas e compromete compromete a competitividade face a mercados como a Ásia, a Índia ou a Turquia.
De acordo com a associação, o aumento dos custos de produção poderá refletir-se numa subida de preços do vestuário na ordem dos 10%, além de incentivar a deslocalização da produção para países como Marrocos.
A ACIB recorda ainda que o setor é composto maioritariamente por empresas de pequena dimensão: 81,7% são microempresas e 14,1% pequenas empresas, o que as torna particularmente vulneráveis a mudanças no comércio internacional.
Perante este cenário, a associação tem apelado às autoridades para a criação de um plano de ação estruturado para o setor têxtil e vestuário, capaz de apoiar as empresas, estimular a inovação e reforçar a competitividade de uma das principais indústrias exportadoras da região.






