A passagem do ‘comboio de tempestades’ na Península Ibérica tem afetado a vida dos portugueses, mas também dos espanhóis, em especial na província da Andaluzia. A depressão Leonardo deixou o rasto mais evidente a partir da quarta-feira, quando cerca de 3 mil pessoas foram retiradas de suas casas por precaução. Em dois dias, o número subiu para 4 mil desalojados. E, neste momento, já a sentir os efeitos da depressão Marta, há 11.000 pessoas retiradas de casa e 15 municípios da região estão isolados. Há registo de 87 estradas cortadas e perturbações na circulação de comboios.
Uma mulher de 35 anos está desaparecida desde quarta-feira, quando foi arrastada pelas águas em Málaga ao tentar salvar o seu cão. Naquele dia, a Agência Portuguesa do Ambiente emitiu um alerta de cheias em sete bacias hidrográficas, incluindo as de rios que correm de Espanha, como o Douro, o Guadiana e o Tejo. Tanto o Douro quanto o Tejo continuam em “situação de alerta ativo”.
Espanha tem estado em contacto com Portugal acerca dos rios partilhados. Grande parte das barragens espanholas já atingiu o seu nível máximo de capacidade, pelo que descargas preventivas estão a ser realizadas pela proteção civil para evitar inundações extremas.
Na sexta-feira, as autoridades espanholas lançaram o alerta máximo para os caudais de rios e barragens em várias regiões. As mais afetadas estão a ser visitadas neste sábado pela primeira vice-presidente do Governo, María Jesús Montero, e pelo presidente do Governo regional da Andaluzia, Juanma Moreno, avançou o El País. Moreno já solicitou verbas de emergência ao Governo espanhol e ao mecanismo de solidariedade da União Europeia. Não se sabe ainda qual é dimensão exata dos prejuízos, mas o autarca refere que os danos nas infraestruturas, em especial as estradas, devem custar mais de 500 milhões de euros.
A subida do caudal dos rios deixou submersas as áreas agrícolas, pastagens de animais e causou perturbações ao setor de pesca. O Governo da Andaluzia informou que há mais de dez mil agentes de segurança a trabalhar nas emergências. Moreno afirmou “nunca ter visto” uma situação como a atual, que define como “bastante difícil“. Tanto em Espanha quanto em Portugal, as chuvas volumosas e por muitas vezes ininterruptas causaram a completa saturação do solo, que já não tem mais capacidade para drenar a água.


