O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza concordam com a necessidade de fixar o preço dos combustíveis e dos bem essenciais para fazer face à especulação. O Bloco defende ainda uma taxa extraordinária aos “lucros obscenos” das empresas, na sequência do conflito no Médio Oriente.
Paulo Raimundo defendeu este sábado a regulação e fixação dos preços dos combustíveis e dos bens essenciais para proteger os consumidores da “operação de especulação” que considerou estar a ser levada a cabo pelas empresas.
“Há uma medida concreta, que é regular e fixar os preços. Nós estamos perante uma operação de especulação com efeito na vida de cada um de nós”, afirmou.
Paulo Raimundo liderou a comitiva do PCP que se associou a uma manifestação pelo ‘Fim das ameaças e agressões dos EUA”, organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, que decorreu em Lisboa e que juntou várias centenas de pessoas.
“Estamos confrontados com o aumento dos combustíveis, vamos ser confrontados com um novo aumento na próxima semana, [mas] o combustível que estamos a comprar agora foi comprado e pago há três ou quatro meses. É um ato de especulação, portanto fixar o preço é fundamental”, justificou.
E considerou que “é assim nos combustíveis, nos alimentos, nas prestações, é assim em tudo”.
“Nós pagamos cada vez mais, o Estado abdica de receitas com a redução de impostos, e aqueles que têm milhões e milhões e milhões de euros, como a Galp, a banca, a grande distribuição, qual o contributo que dão para enfrentar este problema? Zero”, criticou.
Raimundo considerou que “baixar impostos é importante, mas não chega, não é suficiente”, insistindo que a solução para o aumento do custo de vida decorrente de mais um conflito passa por “fixar preços, regular preços”.
“Não há nenhuma dificuldade em o Governo decretar, perante a situação de emergência que estamos a enfrentar, a fixação e regular os preços das comissões bancárias, das prestações, dos alimentos e dos combustíveis e da energia”, defendeu.
“LUCROS OBSCENOS”
Também o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, defendeu a fixação dos preços dos bens essenciais, além de uma taxa extraordinária dos “lucros obscenos” das empresas, na sequência do conflito no Médio Oriente.
“Era necessário que o Governo controlasse assumidamente os preços dos combustíveis e que tabelasse os preços dos bens essenciais, porque quem está a pagar esta guerra é quem está a ter na inflação sobre bens essenciais e sobre combustíveis uma espécie de imposto de guerra. As pessoas que já tinham uma vida aflita, mais aflita vai ficar”, afirmou.
O antigo deputado considerou que “basta haver vontade política de o fazer e haver a capacidade, no parlamento, de criar as maiorias para este efeito”, indicando que o BE estará disponível para aprovar medidas nesse sentido.
Em declarações à Lusa e à SIC antes da saída dos manifestantes, José Manuel Pureza defendeu também que seja adotada “uma forma de taxação adicional” aos lucros “obscenos, excessivos” das empresas e que “decorrem da especulação resultante desta guerra”, considerando que “é uma medida de justiça para o resto da sociedade portuguesa”.
“Veremos quanto tempo é que demora esta situação, veremos quanto tempo é que demora este efeito absolutamente devastador sobre a sociedade portuguesa. Um Governo responsável já devia estar a tomar estas medidas”, salientou.
Com Agências






