Os parques de estacionamento do Hospital de Braga estão no centro de uma polémica após novos aumentos nas tarifas aplicadas a profissionais de saúde e utentes. Em 2026, o preço mensal voltou a subir um euro, depois de um aumento de dois euros no ano anterior, o que representa um acréscimo acumulado de três euros por mês para os trabalhadores e um custo diário de 6,70 euros para os utilizadores ocasionais.
De acordo com os dados avançados por representantes dos profissionais, quem é obrigado a estacionar no recinto do hospital por falta de alternativas — como é o caso de muitos trabalhadores — enfrenta uma despesa anual que ronda os 612 euros. Um valor considerado “incomportável” para quem exerce funções essenciais no Serviço Nacional de Saúde e para doentes e familiares que necessitam de deslocações frequentes para tratamentos.
As críticas intensificam-se com a informação de que 25% da receita do estacionamento reverte para a ACSS – Administração Central do Sistema de Saúde. Para os contestatários, este mecanismo transforma o estacionamento “num instrumento de financiamento indireto” do sistema de saúde, suportado por profissionais e utentes.
“Estamos a falar de centenas de euros por dia retirados ao rendimento de quem trabalha no hospital e de pessoas já em situação de fragilidade”, refere um comunicado divulgado pela CUSB – Comissão de Utentes da Saúde de Braga. Os subscritores consideram inaceitável que um hospital público seja convertido numa fonte de lucro através do estacionamento, que se penalizem profissionais que asseguram o funcionamento do SNS – Serviço Nacional de Saúde e que se agravem os encargos para doentes e famílias vulneráveis.
Entre as principais exigências apresentadas estão a redução imediata do preço diário em 1,50 euros, a aplicação integral da parcela da receita destinada à ACSS na descida das tarifas, a divulgação pública dos valores arrecadados e dos contratos em vigor, bem como a isenção de pagamento para doentes com patologias crónicas ou especiais, comprovadas por atestado multiusos.
Os profissionais apelam ainda a “mais respeito pelos utentes, pelos trabalhadores da saúde e pelo SNS”, sublinhando que o estacionamento deve ser entendido como um serviço de apoio e não como uma fonte de lucro num contexto de cuidados de saúde públicos. Até ao momento, não é conhecida uma resposta oficial da entidade gestora dos parques nem da administração hospitalar.






