O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) exigiu esta terça-feira a “reversão imediata” do aumento das tarifas do parque de estacionamento do Hospital de Braga, em vigor desde 1 de fevereiro, e admite avançar com uma greve caso não haja recuo da medida.
Segundo a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, os valores cobrados aos profissionais têm vindo a aumentar de forma continuada. “O ano passado foram dois euros, este ano é mais um euro. No caso dos parques cobertos, que são os mais procurados, a mensalidade subiu de 50 para 51 euros. No final do ano, são 612 euros que os profissionais desembolsam apenas para poder trabalhar. É uma enormidade”, criticou.
Nos parques descobertos, o preço mensal passou de 35 para 36 euros.
De acordo com o sindicato, 25% das verbas arrecadadas com o estacionamento revertem para a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), sendo esses montantes deduzidos da remuneração anual paga pelo Estado à entidade gestora do parque.
“Exigimos que esses 25% revertam a favor dos profissionais que diariamente trabalham na unidade. Não é admissível que a ACSS tenha lucro com isto”, afirmou Joana Bordalo e Sá.
Estacionamento privado
O Hospital de Braga foi construído ao abrigo de uma parceria público-privada (PPP), que terminou em 2019. Desde então, a gestão clínica é pública, mas as instalações e o estacionamento continuam sob responsabilidade do antigo parceiro privado.
A exploração do parque de estacionamento é assegurada, em regime de prestação de serviços, pela empresa Saba Portugal.
O SMN apresentou já uma queixa à Provedoria de Justiça e garante que irá avançar com uma greve caso o aumento das tarifas se mantenha.
Além do agravamento dos preços, o sindicato denuncia o que considera ser uma “prática discriminatória e intolerável”, afirmando que os membros da administração e da direção do hospital “beneficiam de isenção total de pagamento”, enquanto os profissionais que prestam cuidados diretos aos doentes suportam custos elevados.
Falta de alternativas
O sindicato lembra ainda que não existem alternativas viáveis de estacionamento nas imediações do hospital e que a rede de transportes públicos é “manifestamente insuficiente”.
“O parque de estacionamento do Hospital de Braga existe para servir um hospital público, quem lá trabalha e quem lá é tratado, e não para gerar lucro. Não pode continuar a funcionar como um negócio privado à custa de profissionais e utentes”, sustenta o SMN.
A agência Lusa contactou a Saba Portugal e a Administração Central do Sistema de Saúde, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.






