A CDU quer a realização de uma Assembleia Municipal (AM) Extraordinária em Braga para discutir a mobilidade no concelho, as prioridades do Executivo nesta área e o projeto BRT.
A coligação PCP/PEV justifica, em comunicado ao jornal O Vilaverdense/PressMinho, a realização da AM com a recente promessa feita pelo presidente da Câmara, João Rodrigues, de reorientar o BRT para ligar Braga a Guimarães e servir a futura estação de Alta Velocidade, em vez de se limitar ao trajeto urbano interno inicialmente previsto através da Linha Vermelha.
A CDU considera esta “nova prioridade” da autarca, eleito pela coligação PSD/CDS/PPM, “uma afronta” face “às necessidades reais dos bracarenses e à solução mais viável e ecológica [para ligar as duas cidades]: a ferrovia”.
Recorda que em campanha eleitoral, João Rodrigues, face a críticas ao projeto, declarou publicamente que abandonar o mesmo seria “mandar 75 milhões de euros para o lixo, literalmente”. O autarca chegou mesmo a qualificar a ideia como uma “insanidade política, uma coisa inexplicável” e que “não se pode pegar neste dinheiro e aplicar noutras coisas”.
Agora, aponta a CDU, “não se compreende, assim, como é possível que seja o próprio autor destas declarações a, depois de eleito, vir apresentar a “suspensão” – como eufemisticamente chama ao abandono do projeto – como uma enorme vantagem para a cidade, quando o município pode vir a ter de pagar uma indemnização pela suspensão do projeto da linha vermelha”.
Para o PCP/PEV, “os esforços de propaganda em plena campanha eleitoral procuraram disfarçar a incapacidade da coligação municipal PSD/CDS em concretizar efetivamente um conjunto de investimentos que visassem melhorar de facto a mobilidade dentro do concelho de Braga”.
“O presidente da Câmara Municipal não pode dar o dito por não dito e fazer da empreitada do BRT mais uma promessa vazia, como outras que começam a ficar esquecidas no rescaldo das eleições autárquicas”, afirma CDU.
CÂMARA SEM ESTRATÉGIA
Acusa a gestão da coligação de direita no Executivo de não ter “rumo estratégico” para a mobilidade e de “contradições em relação que foi dito pelo próprio presidente de Câmara ao longo dos últimos meses”.
“Não são necessários estudos nem novas comissões – o que é necessário é uma ligação ferroviária Braga-Guimarães. É hora de avançar com as soluções de que Braga precisa”, reitera a CDU.
Recorde-se que o projeto BRT incluía quatro linhas, com uma extensão total de 22,5 km, mas, devido a limitações orçamentais e a complexidades técnicas, apenas uma linha foi confirmada para avançar numa primeira fase, a Linha Vermelha, com cerca de 6 km, que ligaria a estação ferroviária ao Hospital, passando pela Universidade do Minho (Gualtar).
Mas, a quinze dias do final do mandato, o Executivo anterior de que o atual presidente da Câmara fazia parte, assinou o contrato de conceção-construção da Linha Vermelha do BRT, num montante de mais de 32 milhões de euros, sublinhando “a relevância do projeto para a cidade e para a população”, garantindo a sua conclusão “até 30 de junho de 2026”.
Fernando Gualtieri (CP 7887)






