Há muito que se sabe que o grupo neonazi 1143 tem em Guimarães alguns dos seus militantes mais ativos, como demonstram a frequência com que as pichagens de mensagens de ódio e de apoio ao grupo surgem nas paredes e as vezes que a cidade foi palco de concentrações e manifestações.
Agora, o despacho de apresentação dos 37 detidos pela PJ ao juiz, revela que o grupo de Mário Machado, agora condenado a mais quatro anos e de cúmulo jurídico, tinha na Cidade Berço um centro financiamento. A líder será Rita Castro.
Pelo menos é o que o Ministério Público (MP) suspeita, com base nos indícios recolhidos, na passada terça-feira, pela PJ na casa, em Guimarães, do casal Rita Castro, de 29 anos, e João Peixoto Branco, de 37, e ambos militantes do Chega.
O MP aponta a mulher como sendo uma das principais contribuintes financeira do grupo neonazi, que se auto financiaria com a venda do vasto material de merchandising encontrado na residência. Nas buscas, a PJ encontrou mesmo listas de nomes e de valores monetários, algumas com a indicação ‘Pago’.
O rol do material apreendido preenche quase 10 páginas do despacho entregue ao juiz.
Entre as dezenas de artigos estão imagens de Hitler e Salazar, suásticas, anéis, T-shirts, camisolas e cachecóis com inscrições. Mas não fica por aqui. A Judiciaria recolheu ainda megafones, bandeira e faixas, vestuário, equipamentos de som, material de propaganda e documentação interna, que agora será analisada pela PJ.
E a lista continua: tubos extensíveis para bandeiras, centenas de autocolantes, autocolantes com mensagens contra os antifascistas e outros com referências a organizações, frases em língua estrangeira (idênticas às postadas na rede social X) e símbolos estrangeiros.
As inscrições encontradas revelam qual o alinhamento ideológico do grupo. Entre elas constam ‘Guimarães 1143’, ‘Nacionalismo não é crime’, ‘Orgulhosamente SÓS’, ‘Irmandade’ – curiosamente o nome da operação realizado pelo PJ – e ‘Os lobos não usam coleira’.
Os indícios encontrados em Guimarães e o material, nomeadamente armas, apreendido em buscas realizadas noutras zonas do país, foi suficiente para o Ministério Público avançar com acusação de discriminação e incitamento ao ódio, sendo o casal vimaranense (agora sujeito à medida de coação de apresentações semanais às autoridades) acusado de estar a preparar-se para o “combate urbano”, e “eventualmente [para] uma guerra racial”.
Fernando Gualtieri (CP7889)
Foto DR
Concelhia do Chega afasta-se dos militantes detidos do grupo neonazi 1143






