Prisões “sobrelotadas” e “sem higiene básica”, prisioneiros maltratados, instituições que “aprovam” estas condições, “tortura e abusos sexuais”. É o que consta no relatório Living Hell (Inferno na Terra, em português) revelado esta terça-feira pelo B’Tselem (Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados) sobre as condições em que vivem os palestinianos detidos em Israel.
O mesmo relatório feito com base em entrevistas com 21 ex-prisioneiros dos centros de detenção de Israel libertados no âmbito do cessar-fogo de outubro de 2025 assinala que os depoimentos foram prestados “a medo” devido “às ameaças das autoridades israelitas” de “prender novamente qualquer pessoa que partilhasse informações sobre as suas experiências na prisão”.
Israel continua com a “sua política sistémica e institucionalizada de tortura e abuso dos prisioneiros palestinianos aprovada e apoiada pelo sistema político, pelo sistema judicial, pela comunicação social e, é claro, pelas autoridades prisionais”, lê-se no documento, que acrescenta que estas se “vangloriam abertamente das condições de tortura em que mantêm os palestinianos detidos”.
Os depoimentos dos prisioneiros libertados indicam igualmente um padrão grave de “violência sexual” nos centros de detenção e prisões de Israel – que “varia entre ameaças de agressão sexual, passando por nudez forçada e até agressões sexuais reais”.
Testemunhos confirmam “espancamentos nos genitais que causaram ferimentos graves, o uso de cães contra os prisioneiros e penetração anal forçada com vários objetos”.
Juntam-se à violência física aplicada “choques elétricos, uso de gás lacrimogéneo”, “queimaduras de cigarros”, “derramamento de líquidos a ferver” no corpo e “disparos de balas de borracha revestidas de metal”.
O relatório aponta também para as condições “desumanas” em que os reclusos ficam detidos: “sobrelotação extrema”, “privação de contacto com o exterior”, “fome deliberada” ou “negação da higiene básica” fazem parte da vida dos palestinianos presos.
A agência de notícias norte-americana Associated Press deu conta da resposta do Serviço Prisional de Israel às acusações, o qual rejeitou “categoricamente as falsas alegações”, argumentando que opera dentro da lei.
“Qualquer denúncia concreta apresentada pelos canais oficiais é examinada pelas autoridades competentes de acordo com os procedimentos estabelecidos e a lei”, afirmou em comunicado aquele serviço israelita.
A agência noticiosa avançou ainda que nem o Exército nem o Shin Bet (serviço de segurança interna de Israel) – que são responsáveis pela detenção e pelos interrogatórios aos prisioneiros, respetivamente – comentaram as conclusões do relatório.






