Os autarcas das duas margens do rio Minho exigiram esta sexta-feira uma gestão conjunta e coordenada do troço internacional, reclamando respostas urgentes dos governos de Portugal e Espanha e prioridade ao tema na próxima Cimeira Luso-Espanhola.
Em comunicado, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) do Rio Minho, que reúne 26 municípios, reitera “o pedido para que os dois Estados assumam os problemas ambientais do rio Minho como prioridade na XXXVI Cimeira Luso-Espanhola, agendada para 29 de janeiro, defendendo que o rio integre a agenda do encontro bilateral”.
“A posição foi assumida de forma unânime no âmbito da Comissão de Trabalho do Pacto do Rio Minho, criada por proposta da atual direção do AECT do Rio Minho e aprovada em Assembleia Geral”, acrescenta.
As reivindicações devem-se à “ausência de uma resposta eficaz para problemas estruturais que afetam o rio Minho, nomeadamente o assoreamento do troço internacional, com impactos diretos na navegabilidade, na segurança, na pesca e no turismo”, descreve o AECT, liderado pelo presidente da Câmara de Valença.
A isto, soma-se “a proliferação de espécies exóticas invasoras e a gestão dos caudais transfronteiriços, com efeitos significativos nos ecossistemas, nas atividades económicas tradicionais e na segurança das populações”.
“UM TERRITÓRIO, UMA VOZ”
Assim, os municípios das duas margens “alertam que a fragmentação institucional e a falta de coordenação entre entidades continuam a impedir respostas eficazes no terreno, apesar da gravidade e persistência dos problemas”.
“O território está unido e fala a uma só voz”, afirmam os municípios, defendendo que o rio Minho exige respostas conjuntas, estruturadas e urgentes”, asseguram.
Os presidentes de câmara dizem ainda estar a trabalhar “de forma articulada entre ambas as margens”, notando “que o troço internacional do rio Minho é o mais humanizado e dinâmico de toda a fronteira luso-espanhola”.
Para os autarcas, este troço internacional do rio Minho assume “um papel central na identidade cultural do território” e é “um recurso ambiental, social e económico fundamental para as comunidades ribeirinhas”.
Com sede em Valença, o AECT Rio Minho foi criado em 2018 e integra 26 municípios, os dez concelhos do Alto Minho e os 16 municípios galegos da província de Pontevedra, abrangendo um território com mais de três mil quilómetros quadrados e uma população superior a 376 mil habitantes.






